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Crise no Futebol: é necessário se preparar para um gerenciamento de crise

Licença Pixabay

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Faz muito tempo que a crise no futebol deixou de ser apenas técnica, tática ou até mesmo física. Com mais tecnologia, informações e ciência fazendo parte do dia a dia dos clubes, federações e confederações dessa modalidade, não é raro depararmos com notícias sobre doping, festas exageradas e muita corrupção.

Devido aos megaeventos esportivos que aconteceram em nosso país nos últimos anos, como Jogos Pan-Americanos, Copa do Mundo e Olimpíadas, cresceram os casos de superfaturamento de obras, desvio de dinheiro público e até compra de votos para sediar tais competições. 

Além desses grandes problemas, é importantíssimo destacar que os três últimos presidentes da CBF foram banidos definitivamente do futebol mundial. E um deles está preso, nos EUA.  

Crise no futebol e seus impactos  

Afastamento atrás de afastamento, banimento atrás de banimento, e tudo ocorreu da mesma forma dentro do prédio da CBF, no Rio de Janeiro. Em apenas um dos casos, uma pequena nota no site oficial; nos outros, nem isso. Nas redes sociais, nenhum posicionamento para o seu maior stakeholder, a torcida brasileira, para quem o futebol sempre foi um misto de amor e entretenimento.   

Como consequência, vemos a perda de credibilidade, a diminuição de público nos estádios, a queda de audiência na TV e, por fim, a debandada de patrocinadores para os campeonatos estaduais, regionais e nacionais.

Um exemplo claro disso é o fato de uma das mais importantes montadoras de veículos do país não ter renovado seu contrato para ser detentora de naming rights do último Brasileirão e ter deixado de ser uma das patrocinadoras da CBF. Além dela, desde o início dos escândalos de corrupção, a confederação já havia perdido outras cinco empresas parceiras, que evidentemente não queriam vincular sua marca aos problemas enfrentados pela maior entidade do futebol brasileiro.  

A crise no futebol também afetou diretamente a TV detentora dos direitos de imagem aqui no Brasil, que se viu quase obrigada a abaixar o valor das cotas de patrocínio dos principais torneios nacionais, sul-americanos e, principalmente, dos jogos da Seleção Brasileira.

É notório que a CBF não tinha como ou não soube como pôr em prática o seu plano de Gestão de Crise. No gerenciamento da crise, faltaram ações básicas: posicionamento, declarações da diretoria e respostas para o público com o objetivo de amenizar os prejuízos. A única nota divulgada não respondia aos maiores questionamentos da imprensa, das federações vinculadas, dos clubes e, muito menos, da torcida. 

Uma das ações recomendadas para casos assim é a realização de uma entrevista coletiva com alguém que possa esclarecer de forma direta as medidas e mudanças que iriam ocorrer. Afinal, uma alteração no comando sempre ocasiona algum tipo de transformação. O ideal é que a imprensa seja convocada até no máximo oito horas após o início da crise.

Para o gerenciamento de crise nas redes sociais, o ideal seria fazer uma postagem com linguagem adequada para as mídias e um trabalho de SAC 2.0, que ajudaria também a diminuir o impacto das denúncias e a preservar a credibilidade daqueles que administram o futebol brasileiro.  

Em casos como esse, constatamos o enorme prejuízo que uma crise pode gerar. Não somente à empresa em si, mas a todos aqueles que estão direta e indiretamente ligados ao seu causador. Pensamentos como “somos grandes e poderosos demais” são grandes estopins para que a crise ganhe repercussão e vire uma bola de neve. Nesse caso específico, a bola de neve ainda não parou de crescer, e muitas denúncias ainda estão sendo investigadas.  

Devemos esperar os próximos acontecimentos e o final dessa história para ver qual vai ser o posicionamento da CBF no cenário pós-crise, que será a hora de (re)conquistar a sua reputação.