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Aqui você encontra um rico debate sobre assuntos ligados a gestão de risco, gestão de crise, gerenciamento de crises, crise nas redes sociais e cases de crises, no quais podemos aprender muito

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O que podemos aprender sobre crises com o acidente de Chernobyl

O acidente na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, então território soviético, completa seu 31º aniversário hoje, em 26 de abril. O desastre tomou proporções mundiais e nunca foi levantado o número certo de vítimas, visto que o problema da radiação afetou as gerações seguintes. Com destaque na imprensa e marcado ainda pelo contexto político da época, esse, que é considerado o maior desastre nuclear da história, é um grande exemplo da importância da gestão e do gerenciamento de crises.  


O que aconteceu em Chernobyl

Ainda nas primeiras horas do dia, em 1986, o reator nuclear número 4 explodiu durante os testes de segurança. O combustível de material radioativo queimou por 10 dias, liberando nuvens tóxicas que atingiram e contaminaram cerca de três quartos do continente europeu.

A União Soviética, em meio à Guerra Fria, não informou a imprensa de imediato sobre o desastre. As autoridades levaram mais de 24h para ordenar a evacuação dos 48 mil habitantes de Pripyat, cidade a três quilometrôs da usina.

A primeira declaração na mídia sobre o acidente em Chernobyl foi dada pelo governo da Suécia. A mais de mil quilômetros de distância, o país alertou a imprensa ocidental sobre o aumento da radiação causada pelas explosões na usina, 48 horas após o acidente.

O governo soviético inicialmente contestou as publicações do “ocidente”, que apontavam níveis de radiação 90 vezes superiores aos registrados no bombardeio de Hiroshima, 41 anos antes. Na TV local, foram reproduzidas imagens da usina em perfeito estado.

Somente em 14 de maio, Mikhail Gorbachev, então líder da União Soviética, veio a público para falar sobre o acidente.


A crise e suas consequências

De imediato, 31 trabalhadores da usina, entre bombeiros e engenheiros, morreram por consequência do acidente. A principal causa foi a síndrome aguda da radiação, ou envenamento radioativo. Na época, civis e militares de toda a União Soviética foram convocados para limpar e conter o material radioativo no reator 4 e arredores. Os chamados “liquidadores” sofreram diversos efeitos pela exposição e milhares morreram.

Um relatório da ONU publicado em 2005 estimou que até 4 mil pessoas ainda poderiam morrer em consequência do envenenamento da radiação, principalmente na Ucrânia e nos países vizinhos. A principal doença provocada pela exposição é o câncer.

A política de isolamento da União Soviética foi o maior empecilho em relação à comunicação de crise, ocultando o acidente e atrasando sua resolução. Pensando nos relacionamentos com a mídia e com o exterior, o governo soviético instalou então a Glasnost, política de democratização, liberdade e transparência sobre o regime. Junto à Perestroika, política de reestruturação econômica, a Glasnost abriu caminho para o fim da Guerra Fria e, consequentemente, da União Soviética, em 1991.

Chernobyl representou um desastre de grande alcance, mostrando seus efeitos até hoje. Além do debate sobre a segurança do uso da energia nuclear, o acidente colocou no repertório de grandes empresas a possibilidade de desastres em sua operação. Foi ele que trouxe a necessidade e destacou a importância de se traçar planos de crise e de comunicação, tanto para governos como para instituições e empresas.